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22/11/2017

O idioma inglês e o seu "politicamente correto dos pronomes"

Eu gostei tanto deste comentário feito num post da Lola que eu quero dividir aqui no blog.


Já cansei de tanto ler posts no Tumblr sobre esta questão que é sempre levantada por falantes norte americanos sobre "outras linguás serem estranhas por terem gênero pra coisas como uma cadeira, mas não para outras" (recentemente eu vi um falando justamente sobre isso e ainda metendo o pau em idiomas como alemão, chines e espanhol por serem tão diferentes do inglês como se o idioma inglês fosse algo divino e sublime só por não dar gênero a coisas inanimadas ou ter uma unica palavra para indicar o tempo futuro, francamente aquele post me deu raiva) e como esse comentário de alguém chamado donatio resume e explica a questão tão bem (numa comparação direta entre inglês e portugues), eu iriei reproduzi-lo totalmente neste meu post.

E agora vamos ao comentário sobre a língua inglesa e suas diferenças em relação ao bom e velho português.
Como eu já disse, o inglês em princípio não tem gênero. Há inclusive uma adivinha clássica, destinada a demonstrar o sexismo inerente ao raciocínio ordinário das pessoas:
A father and son get in a car crash and are rushed to the hospital. The father dies. The boy is taken to the operating room and the surgeon says, “I can’t operate on this boy, because he’s my son.”
How is this possible?
É difícil traduzir isso, mas a estória é a seguinte: pai e filho sofrem um acidente de automóvel, o pai morre, o filho tem de passar por uma cirurgia, e é filho de quem vai operar. Como pode? Evidentemente, por que o cirurgião é uma cirurgiã, a mãe do rapaz. Mas o truque é que em inglês é possível ocultar esse fato ao longo de toda a adivinha, coisa que em português não tem como fazer.
(O que demonstra minha observação no comentário anterior. Não tem "surgeono" nem "surgeona", o cirurgião ou cirurgiã é sempre "surgeon" - onde que vai colocar o "x" então?)
O pouco que resta de gênero em inglês então são basicamente os pronomes pessoais - he (ele) e she (ela), e não se reflete na gramática. Em português temos de dizer "ele é bonito", "ela é bonita". Mas em inglês, o adjetivo não tem gênero - "she is beautiful", "he is beautiful", de novo sem lugar para o "x". Ou seja, o pouco que resta de gênero em inglês é semântico, não gramatical.
Isso leva muitos falantes de inglês, em especial os que não têm uma segunda língua, a cultivarem algumas fantasias a respeito das línguas que têm gêneros gramaticais, como o português e as outras línguas neolatinas, e o alemão. Uma dessas fantasias é achar que o gênero em português ou em alemão é semântico, em vez de gramatical. Daí a piada clássica, "os alemães acham que um repolho tem sexo, mas uma esposa não" (por que a palavra alemã para "repolho" é feminina, e a palavra alemã para "esposa" é neutra (em alemão os gêneros são três, masculino, feminino e neutro).
Mas não é assim que as coisas funcionam; nós dizemos coisas como "o Trump é uma pessoa horrorosa", sem por isso estarmos duvidando da masculinidade dele, ou "a testemunha estava apavoradaa" sem com isso concluirmos que a testemunha é necessariamente uma mulher. Esse descolamento entre sintaxe e semântica no uso de palavras que flexionam em gênero é difícil de entender para pessoas cuja única língua é o inglês.
(Isso tem algumas consequências interessantes para o uso do "politicamente correto" em inglês, quando comparado com o similar português. A maioria dos anglófonos - ou das anglófonas - que se importa com essas coisas demanda o uso de palavras neutras para substituir os resquícios de gênero que ainda se apegam a alguns poucos substantivos. O exemplo mais notável são as atrizes de língua inglesa, que não gostam de serem chamadas de "actress", e preferem a palavra neutra/masculina "actor", mas há outras, como "mailman/mailwoman" (carteiro/carteira) que deveria ser substituída por "mailperson", semanticamente neutra). Já em português, com exceção das poetas, que abominam a forma supostamente feminina "poetisa" - com uma boa dose de razão, já que ninguém diz "atletisa" ou "estafetiza" - a tendência parece ser a contrária, com formas arcaizantes como "estudanta" ou "presidenta" sendo ressuscitadas.)

Comentário por donadio escrito em 22 de novembro de 2017 as 14:12 no blog Escreva Lola Escreva.
Fora o principal sobre o idioma, algo relevante para mim neste comentário é seu ultimo trecho onde fala do "politicamente correto" no inglês porque eu vejo facilmente esse "politicamente correto" tentando ser posto em pratica por alguns tumblrs brasileiros como se nós aqui falássemos inglês e como tais pudêssemos excluir qualquer palavra ou pronome com gênero do nosso idioma tal qual o inglês consegue e não é assim que a banda toca! Não é porque os malucos obcecados pelo "politicamente correto dos pronomes falantes de inglês" estão preocupados em encontrar algum pronome neutro em todos outros idiomas para assim terem como se referir a pessoas "LGBT e sei lá mais o que" de outras nacionalidade como supostamente estes querem ser referidos que nós, brasileiros, devemos nos preocupar em criar um pronome neutro no nosso idioma para nos passarmos por pessoas legitimamente preocupadas com essas questões sendo que isso nem é um problema pra nós! A gente não precisa disso, basta a gente pensar um pouco.

O nosso idioma funciona e é ótimo, ele parece horrível quando lemos criticas babacas vindas de babacas falantes de inglês (os quais falam mais sobre o espanhol, mas eles acabam remetendo ao português, afinal espanhol e português são parecidos), mas ele serve ao seu proposito que é nos comunicarmos. E se você tem um amigo ou amiga que lhe diz que é de tal gênero, então você não precisa de um drama gigante só porque não tem um pronome magico pra ele ou ela, você só vai chamar-lhe com o pronome que convêm, não existe a necessidade de uma aberração como "elx" só pra atender o estranho "politicamente correto dos pronomes" que só funciona para o inglês!

Pronto! Desabafei. Até outro outro dia.

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